SpaceX: a história da empresa que pode mudar a exploração espacial
Fundada em 2002 em Hawthorne, na Califórnia, pelo engenheiro e empreendedor sul-africano Elon Musk, com o objetivo de baratear o acesso ao espaço e romper o monopólio das agências governamentais, a SpaceX – que hoje tem sede oficial no Texas, a chamada Starbase – foi a primeira empresa privada a colocar espaçonaves em órbita e a transportar astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS).
Antes de chegar a esse ponto crucial, vamos retroceder para o distante ano de 1999. Naquela época, muito antes da era das redes sociais, Musk fundou uma empresa de serviços financeiros chamada X.com. O nome pode soar familiar hoje, já que é o mesmo domínio que o empresário utilizaria décadas depois para rebatizar o Twitter, mas, no fim do século passado, era um banco digital pioneiro que, após fundir-se com a Confinity, deu origem ao PayPal.
Com a venda do PayPal ao eBay em 2002, Musk embolsou entre US$100 milhões e US$180 milhões líquidos. Com isso, ele tomou uma decisão incomum e arriscada. Em vez de buscar estabilidade, investiu tudo em três frentes simultâneas: energia renovável (SolarCity, atual Tesla Energy), carros elétricos (Tesla) e exploração espacial (SpaceX).
Essa aposta deu início a uma jornada que transformou a SpaceX de um projeto improvável na força que hoje domina o setor espacial. Acompanhe, a seguir, os principais marcos dessa trajetória.
Tudo começou com o Falcon 1
O início foi marcado por dificuldades técnicas e falhas sucessivas nos testes de lançamento, o que quase levou a SpaceX à falência antes de qualquer sucesso em órbita. Nesse período de forte pressão financeira, a empresa concentrou seus esforços no desenvolvimento do Falcon 1, seu primeiro foguete de dois estágios, projetado como uma alternativa de baixo custo voltada ao lançamento de pequenos satélites.
O projeto se destacava pelo uso do motor Merlin, tecnologia própria que simbolizava a estratégia da empresa de reduzir dependências externas e competir com gigantes do setor, como Boeing e Lockheed Martin. Outro elemento central da abordagem da companhia era a busca por maior eficiência operacional e a perspectiva de reutilização de componentes, em contraste com o modelo predominante de foguetes descartáveis.
A prova de fogo começou em 24 de março de 2006, com o voo inaugural do Falcon 1, que terminou de forma prematura após um vazamento de combustível provocar um incêndio cerca de 30 segundos após a decolagem.

Cerca de cinco meses depois, enquanto ainda estava nesse período inicial de testes, a SpaceX venceu uma licitação da NASA no programa Serviços Comerciais de Transporte Orbital (COTS, na sigla em inglês), que buscava financiar o desenvolvimento e a demonstração de tecnologias de transporte espacial por empresas privadas, testando sua capacidade de realizar missões de carga à ISS, após o fim do programa do ônibus espacial.
Em março de 2007, uma nova tentativa de lançamento também deu errado, com o foguete perdendo estabilidade antes de alcançar a órbita. A terceira tentativa, realizada em agosto do ano seguinte, terminou novamente em fracasso. Na ocasião, o foguete transportava pequenos satélites para a NASA e para o Departamento de Defesa dos EUA, além de cargas simbólicas, como as cinzas do astronauta Gordon Cooper e do ator James Doohan. Durante o voo, após a separação dos estágios, ocorreu uma colisão entre eles, provocando um incêndio e a perda da missão.
Finalmente, em 28 de setembro de 2008, veio o sucesso. Apenas oito semanas após a terceira falha, um Falcon 1 foi lançado com êxito a partir da Ilha de Omelek, no Pacífico, com uma carga útil simulada, tornando a SpaceX a primeira empresa privada a colocar em órbita um foguete desenvolvido de forma independente.
Em dezembro daquele mesmo ano, a companhia conquistou mais um contrato com a NASA, desta vez no programa Serviços Comerciais de Reabastecimento (CRS), avaliado em mais de um bilhão de dólares, para realizar missões regulares de transporte de suprimentos ao laboratório orbital.
Falcon 9 e Dragon: a consagração da SpaceX no espaço
Em 2010, a SpaceX lançou o Falcon 9 a partir da Estação da Força Aérea em Cabo Canaveral, na Flórida, marcando um salto na trajetória da empresa. Maior e mais potente que o Falcon 1, o sistema foi projetado com um objetivo audacioso e inédito para foguetes orbitais modernos: a reutilização do primeiro estágio, visando reduzir custos e aumentar significativamente a frequência de voos.
Enquanto o Falcon 1 tinha caráter experimental, o novo veículo foi projetado desde o início para missões de pequeno e médio porte. Sua estrutura com nove motores no primeiro estágio foi pensada para aumentar a confiabilidade e o volume de carga. Para efeito de comparação, o Falcon 1 podia levar cerca de 420 kg à órbita baixa da Terra e realizou cinco lançamentos, com dois sucessos, servindo principalmente para validação tecnológica. Já o Falcon 9 elevou essa capacidade para mais de 22 toneladas e passou a operar com alta previsibilidade.
Paralelamente aos primeiros passos do Falcon 9, a SpaceX realizou outro marco importante ao lançar a cápsula Dragon, demonstrando pela primeira vez a capacidade de uma espaçonave privada realizar um voo orbital completo e ser recuperada com sucesso. No ano seguinte, a empresa iniciou o desenvolvimento do Falcon Heavy, um veículo lançador ainda mais potente, capaz de transportar cargas pesadas e abrir caminho para futuras missões ao espaço profundo.
Em maio de 2012, a cápsula Dragon voltou a fazer história ao se tornar a primeira espaçonave comercial a acoplar-se à ISS, realizando uma entrega de suprimentos com êxito. Três meses depois, a SpaceX anunciou que havia sido selecionada pela NASA para desenvolver uma versão tripulada da nave, destinada a transportar astronautas à estação como sucessora do programa de ônibus espaciais.

A primeira reutilização de estágio a gente nunca esquece
O grande diferencial competitivo da SpaceX sempre foi a tese de que, para colonizar o espaço, os foguetes precisariam ser operados como aviões: abastecer e voar novamente, em vez de serem descartados no oceano a cada missão. E, como dito anteriormente, o Falcon 9 foi o primeiro veículo orbital projetado com esse “gene” em seu “DNA”.
O caminho para provar essa teoria foi repleto de tentativas frustradas e explosões espetaculares. O êxito veio finalmente em dezembro de 2015, quando, após colocar satélites em órbita, o estágio inferior do Falcon 9 executou uma manobra de retorno e pousou verticalmente na Zona de Pouso 1, em Cabo Canaveral. Pela primeira vez na história, um propulsor orbital retornou intacto ao local de lançamento.
A partir de 2016, a empresa refinou a técnica com as balsas-drone (plataformas marítimas autônomas). Pousar no oceano não era apenas uma exibição de precisão, mas uma necessidade logística: missões que exigem mais velocidade não têm combustível reserva para “voltar” até a terra firme, precisando pousar em uma plataforma posicionada na trajetória de descida do foguete.
A consolidação dessa estratégia aconteceu em 30 de março de 2017, quando a SpaceX reutilizou um estágio pela primeira vez. Naquela ocasião, o satélite SES-10 foi enviado ao espaço por um propulsor que já havia voado e pousado um ano antes. O sucesso da missão provou que a recuperação não era apenas um troféu de engenharia, mas o início de um modelo de negócio viável.
Para completar o ciclo de sustentabilidade, no mesmo ano, uma cápsula Dragon também voou pela segunda vez em uma missão de reabastecimento à ISS, inaugurando oficialmente a era das espaçonaves “seminovas”.

Falcon Heavy triplica a capacidade de carga da SpaceX
Em fevereiro de 2018, a SpaceX expandiu significativamente suas capacidades operacionais com o lançamento do foguete superpesado Falcon Heavy. Derivado da integração de três núcleos do Falcon 9, o veículo estreou com capacidade de cerca de 63 toneladas para órbita baixa da Terra, aproximadamente o triplo de seu antecessor, assumindo o posto de lançador mais potente em operação da empresa.
O voo inaugural marcou também um feito inusitado na demonstração de carga útil. Em vez de um simulador convencional, a SpaceX enviou ao espaço um carro Tesla Roadster cereja pertencente a Musk, com um manequim apelidado de “Starman” sentado ao volante. A trajetória rumo à órbita solar, registrada em imagens memoráveis com a Terra ao fundo, transformou a missão em uma demonstração técnica sem precedentes e um marco para o marketing da empresa.
Além da demonstração de capacidade, o lançamento também serviu como teste do sistema de reutilização em escala. Os dois propulsores laterais retornaram com sucesso e pousaram de forma sincronizada em Cabo Canaveral, enquanto o núcleo central não conseguiu realizar o pouso previsto e caiu no oceano próximo à balsa-drone. Ainda assim, o desempenho geral validou o conceito operacional do veículo, permitindo sua entrada em missões comerciais a partir de 2019.
Atualmente, o Falcon Heavy permanece como o principal foguete de alta capacidade em operação da SpaceX, sendo utilizado em missões complexas e contratos governamentais estratégicos. Esse papel tende a se manter até a estreia operacional do megafoguete Starship, ainda em fase de testes.

Um capítulo à parte chamado Starlink
Ainda em 2019, a SpaceX iniciou a construção da constelação Starlink, uma infraestrutura global voltada ao fornecimento de internet de alta velocidade. Com a frequência intensa de lançamentos do Falcon 9, que transporta cerca de 50 unidades por missão, a rede expandiu-se em um ritmo sem precedentes.
Atualmente, a Starlink já opera mais de 10 mil satélites, representando cerca de dois terços de todos os objetos ativos na órbita terrestre. Com autorização para expandir a malha com modelos de segunda geração e planos de longo prazo para atingir 42 mil unidades, a empresa é hoje a maior operadora de satélites de internet do mundo.
Presente em cerca de 100 países e com mais de cinco milhões de usuários, o serviço atende principalmente regiões sem cobertura terrestre e os setores de aviação e navegação. Essa base de operação também se tornou uma importante fonte de receita para o desenvolvimento do Starship, que tem como objetivo principal viabilizar a futura exploração de Marte e ajudar a tornar a humanidade “multiplanetária”, como Musk costuma se referir.

Transportando vidas humanas e ciência pelo espaço
Em 30 de maio de 2020, a cápsula Dragon da SpaceX lançou seres humanos ao espaço pela primeira vez, com a missão Demo-2, que levou os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley até a ISS. O voo encerrou um período de nove anos em que os EUA dependiam de naves russas para acessar a órbita terrestre, após a aposentadoria dos ônibus espaciais em 2011.
O sucesso da operação transformou a SpaceX na principal operadora logística da NASA para o envio de tripulações ao laboratório orbital.
Para além das missões governamentais, a SpaceX também passou a atuar diretamente no mercado privado, diversificando o perfil de quem viaja ao espaço. Em 2021, a missão Inspiration4 – financiada pelo bilionário Jared Isaacman (que viria a se tornar o atual administrador-chefe da NASA) – levou a primeira tripulação formada exclusivamente por civis à órbita. Paralelamente, a empresa estabeleceu uma parceria sólida com a Axiom Space, viabilizando missões (série Ax) que transportam astronautas particulares e representantes de nações que buscam realizar pesquisas científicas na ISS sem depender de um programa espacial próprio.
A exploração comercial atingiu novos patamares com o programa Polaris, também liderado por Isaacman. A missão Polaris Dawn ultrapassou a marca de 1.400 km de distância (a órbita mais alta da Terra desde as missões Apollo), levando os tripulantes a regiões de intensa radiação no cinturão de Van Allen para estudos de saúde humana. O grande marco foi a primeira caminhada espacial privada da história, realizada pelo próprio Isaacman e pela engenheira da SpaceX, Sarah Gillis, validando os novos trajes de atividade extraveicular (EVA) da companhia.

Em abril do ano passado, a missão Fram2 expandiu ainda mais essas fronteiras ao se tornar a primeira missão tripulada a orbitar os polos da Terra. A bordo de uma cápsula Crew Dragon, a tripulação estudou fenômenos atmosféricos únicos e a geologia das calotas polares a partir da cúpula de observação da espaçonave, consolidando a SpaceX como uma prestadora de serviços científicos de alta complexidade.
SpaceX se consolida como principal transportadora da NASA
Todo o aprendizado obtido é sustentado por uma cadência de lançamentos sem precedentes. Até o momento, a SpaceX já realizou 57 missões de carga com a família Dragon, garantindo o fluxo contínuo de mantimentos e experimentos científicos para a ISS desde o início do contrato CRS da NASA.
No transporte de seres humanos, os números são igualmente robustos. Entre missões operacionais para a NASA (desde a Demo-2 até a Crew-12, atualmente acoplada à estação), voos de teste e missões privadas (incluindo as quatro missões da série Axiom e os programas Inspiration4 e Polaris), a cápsula Crew Dragon já completou 19 voos tripulados, transportando com segurança 72 pessoas para a órbita terrestre.
Resumo das missões espaciais da SpaceX:
- 12 missões para a NASA: Desde o voo de validação Demo-2, passando pela Crew-1 (primeira missão operacional, em novembro de 2020), até a Crew-12 (lançada em fevereiro de 2026 e atualmente acoplada à ISS);
- 7 missões privadas: Inspiration4, a série Axiom (Ax-1 a Ax-4), a histórica Polaris Dawn e a recente Fram2 (primeira missão tripulada a orbitar os polos da Terra, lançada no final de 2025).
Essa regularidade transformou o que antes era um evento extraordinário em uma rotina logística de alta confiabilidade. Ao garantir um fluxo estável de lançamentos e retornos, a SpaceX consolidou-se como a principal e indispensável transportadora da NASA para a ISS, sendo hoje o pilar fundamental que permite aos EUA e seus parceiros internacionais manterem a presença humana ininterrupta e a continuidade das pesquisas científicas no laboratório orbital.
O início de uma nova era com o revolucionário Starship
O caminho que transformou a SpaceX na potência que é hoje foi pavimentado por uma série de falhas públicas. Diversos protótipos e estágios foram perdidos durante sucessivos experimentos, enquanto a equipe coletava dados essenciais para refinar os sistemas e provar que foguete não apenas “dá ré”, como pode ser recuperado e reutilizado inúmeras vezes.
Essa estratégia de “tentar, falhar e corrigir rápido” também dita agora o ritmo do megafoguete Starship – o maior e mais potente sistema de lançamento já construído está sendo moldado sob o mesmo princípio: colocar protótipos para voar, testar os limites do hardware e não temer os possíveis fracassos. Pelo contrário: usá-los como aprendizado para atingir a perfeição.

Composto por dois estágios, o propulsor Super Heavy e a espaçonave Starship, o complexo veicular tem atualmente 121 metros de altura – número que deve crescer em breve. As futuras versões do foguete, já em desenvolvimento, preveem um alongamento da nave para aumentar a capacidade de carga, o que deve elevar o conjunto colossal para além dos 140 metros.
Enquanto o Falcon 9 e o Falcon Heavy foram concebidos para recuperar o primeiro estágio e descartar o segundo, o Starship representa uma mudança de paradigma: um veículo de recuperação total, capaz de colocar mais de 100 toneladas de carga em órbita e transportar até 100 pessoas em missões de longa duração.
Diferente dos foguetes tradicionais, o Starship tem estrutura em aço inoxidável e é impulsionado por uma força massiva: são 33 motores Raptor no propulsor Super Heavy e outros seis na nave Starship, todos alimentados por metano e oxigênio líquidos (methalox). Essa escolha de combustível é estratégica para a principal meta da SpaceX, a exploração de Marte, pois permite a futura produção de propelente em solo marciano a partir de recursos locais, utilizando a reação de Sabatier.
Com o Starship, a empresa pretende tornar os lançamentos de foguetes tão comuns quanto os voos de aviões comerciais. Para isso, utilizará a torre ‘Mechazilla’ para capturar o Super Heavy ainda no ar, eliminando a necessidade de pernas de pouso e reduzindo drasticamente o tempo entre missões.
Pode parecer ambicioso, mas a viabilidade dessa manobra já foi comprovada. Em outubro de 2024, durante o histórico quinto voo de teste, a SpaceX conseguiu capturar o booster com sucesso logo em sua primeira tentativa de retorno à Starbase. A companhia almeja replicar esse procedimento com o segundo estágio, a nave que dá nome ao complexo veicular, consolidando o sistema como o primeiro veículo espacial do mundo integralmente e rapidamente reutilizável.
Até o momento, a SpaceX realizou 11 voos de teste integrados com o sistema completo. Veja a seguir um resumo com os marcos desses lançamentos:
Voo 1 – Abril de 2023
A Starship explodiu ainda acoplada ao Super Heavy. Falhas nos motores levaram à ativação do sistema de destruição do veículo.
Voo 2 – Novembro de 2023
A Starship conseguiu se separar do Super Heavy pela primeira vez. O propulsor explodiu logo depois, enquanto a nave perdeu sinal após cerca de oito minutos e acabou sendo destruída antes de completar o voo.
Voo 3 – Março de 2024
Em um grande avanço, o terceiro teste durou cerca de 50 minutos. A Starship foi perdida, mas nunca havia chegado tão longe. Apesar do sucesso da decolagem, a equipe perdeu contato com a nave pouco antes do horário previsto para o pouso.
Voo 4 – Junho de 2024
Pela primeira vez, a Starship realizou um pouso controlado no Oceano Índico, enquanto o Super Heavy pousou no Golfo do México, como planejado.
Voo 5 – Outubro de 2024
O quinto teste marcou um passo importante rumo à reutilização rápida do sistema. Pela primeira vez, a SpaceX conseguiu retornar e capturar o propulsor Super Heavy na torre de lançamento. A Starship também completou uma reentrada controlada e amerissou no Oceano Índico com sucesso.

Voo 6 – Novembro de 2024
Mais um voo bem-sucedido. O propulsor foi direcionado para um pouso controlado no Golfo do México. Já a Starship conseguiu reacender um de seus motores no espaço, um avanço importante para futuras missões orbitais.
Voo 7 – Janeiro de 2025
O sétimo voo terminou com a perda da Starship após uma explosão durante o teste. Ainda assim, a SpaceX afirmou ter identificado rapidamente a causa do problema.
Voo 8 – Março de 2025
O oitavo voo também não saiu como planejado. Cerca de oito minutos após o lançamento, o estágio superior começou a girar descontroladamente, perdeu altitude e acabou explodindo.
Voo 9 – Maio de 2025
Pouco mais de 80 dias após o voo anterior, a Starship voltou a decolar. Foi a primeira reutilização de um Super Heavy, usando o mesmo propulsor do sétimo teste. Falhas impediram parte dos experimentos planejados para o booster, enquanto o estágio superior alcançou a trajetória suborbital prevista, mas acabou perdendo controle durante o voo.
Voo 10 – Agosto de 2025
Primeiro grande sucesso completo do ano. A missão cumpriu seus principais objetivos, incluindo a implantação de simuladores de satélites Starlink, reacendimento de motor no espaço e reentrada controlada da Starship.
Voo 11 – Outubro de 2025
O décimo primeiro voo marcou o encerramento da fase “V2” da Starship. A missão foi considerada um grande sucesso: o Super Heavy realizou um pouso controlado no Golfo do México, enquanto a nave completou testes de reentrada, reacendimento de motor no espaço e implantação de simuladores de satélites Starlink antes de pousar no Oceano Índico. Apesar do resultado positivo, um dos motores do propulsor apresentou falha momentânea durante a manobra de retorno, sem comprometer a missão.

Voo 12 – Maio de 2026
[complementar]
Starship: pilar central do programa Artemis
Todo esse progresso coloca o Starship no posto de peça-chave no programa Artemis – a iniciativa da NASA para o retorno de seres humanos à Lua. A agência adotou uma variante da nave, o chamado Human Landing System (HLS), para realizar o histórico pouso no polo sul lunar, previsto para 2028, com a missão Artemis 4.
Antes disso, com a missão Artemis 3, esperada para o ano que vem, a NASA pretende realizar testes de acoplamento na órbita da Terra. O objetivo é validar a transferência de tripulação entre a cápsula Orion e os módulos de pouso em um ambiente seguro antes de enviar o conjunto para o espaço profundo.
Essa etapa coloca não apenas a SpaceX, como também a Blue Origin, sob pressão. As duas empresas, responsáveis pelo Starship e pelo módulo Blue Moon, respectivamente, correm contra o tempo para provar que seus sistemas de suporte de vida e mecanismos de acoplagem são plenamente seguros para operar com astronautas a bordo. Sem o sucesso desses testes em órbita terrestre, o cronograma para o retorno ao solo lunar fica seriamente ameaçado.

Essa etapa coloca pressão total sobre a SpaceX, que precisa correr contra o tempo para provar que os sistemas de suporte de vida e os mecanismos de acoplagem da Starship são plenamente seguros para astronautas. O mesmo vale para a Blue Origin, também selecionada pela NASA para o serviço com o módulo Blue Moon. Sem o sucesso desses testes em órbita terrestre, o cronograma para o retorno ao solo lunar fica seriamente ameaçado.
Diferente dos módulos da era Apollo, o Starship funcionará como um “elevador espacial” de alta capacidade. Enquanto os astronautas partem da Terra na cápsula Orion, impulsionada pelo foguete Space Launch System (SLS), o encontro com o veículo da SpaceX ocorre na órbita da Lua. A partir dali, a nave assume o papel de módulo de pouso, oferecendo um espaço interno e uma capacidade de carga sem precedentes.
Elon Musk quer colonizar Marte
Embora a Lua seja o foco imediato, para Elon Musk ela é uma etapa intermediária. Desde o início, a Starship não foi projetada pela SpaceX apenas para cumprir contratos da NASA, mas para viabilizar o objetivo de transformar a humanidade em uma espécie “multiplanetária”. Na visão do empresário, a nave será a base de uma futura estrutura de transporte espacial, capaz de levar centenas de pessoas e grandes cargas de suprimentos até Marte.
Os planos de Musk incluem, no longo prazo, o envio frequente de frotas de Starships ao Planeta Vermelho, aproveitando as janelas de transferência orbital que se abrem aproximadamente a cada 26 meses. A proposta visa a criação de uma colônia autossustentável em Marte – meta que o bilionário cita há anos, mas que ainda depende de avanços significativos em áreas como reabastecimento orbital, suporte de vida, proteção contra radiação e pousos seguros em outro planeta.
Mesmo com os avanços recentes do sistema Starship e sua participação no programa Artemis, transformar essas projeções em operações reais ainda exigirá anos de testes, desenvolvimento tecnológico e aportes financeiros robustos.
Ecossistema tecnológico e expansão financeira
Paralelamente aos avanços no setor espacial, a SpaceX também amplia sua presença no mercado financeiro. A companhia avalia a possibilidade de abrir seu capital na bolsa por meio de uma oferta pública inicial (IPO), operação que pode acontecer já este ano. Caso avance, o movimento representará uma das etapas mais importantes da trajetória da empresa, permitindo captar recursos para acelerar projetos de longo prazo, como a expansão da rede Starlink e o desenvolvimento das futuras versões da Starship. A abertura de capital também deve fortalecer a posição da companhia entre as organizações mais valiosas do planeta.
Ao mesmo tempo, a empresa fortaleceu sua estratégia em inteligência artificial com a integração da xAI, que passou a operar como a divisão SpaceXAI. A fusão oficializa a união entre os modelos de linguagem Grok, a infraestrutura de supercomputação Colossus e os projetos aeroespaciais. Essa aproximação reforça a integração entre IA, comunicação digital e exploração espacial dentro do ecossistema de negócios ligado a Elon Musk, que também inclui a plataforma X, antigo Twitter.
Em abril de 2026, a SpaceX anunciou também uma parceria estratégica com a startup de IA Cursor, especializada em ferramentas de programação. O acordo prevê dois caminhos: a aquisição da companhia por até US$60 bilhões ou, alternativamente, um aporte de US$10 bilhões para um projeto conjunto. A colaboração é voltada ao desenvolvimento de sistemas para programação avançada e tarefas complexas, unindo a infraestrutura computacional da SpaceX às soluções de software da Cursor para acelerar o desenvolvimento de software crítico para suas missões.
Em pouco mais de duas décadas, a SpaceX expandiu sua atuação de operadora de lançamentos para um ecossistema tecnológico global. Ao integrar foguetes reutilizáveis, a rede Starlink e iniciativas em inteligência artificial, a companhia estruturou uma operação na qual infraestrutura orbital, conectividade e processamento de dados se complementam. Enquanto amplia contratos, fortalece receitas e avalia uma possível abertura de capital, a empresa busca transformar essa base tecnológica em uma estrutura capaz de sustentar seus planos de expansão lunar e interplanetária.
O post SpaceX: a história da empresa que pode mudar a exploração espacial apareceu primeiro em Olhar Digital.
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